Baia 26

Trabalhar não é problema, problema é ter de trabalhar

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"Um dia mostrara Leroux. ‘Repare como é bela esta fealdade que afugenta o amor…’ Era talvez àquela fealdade, que fizera consagrar sua vida exclusivamente ao ofício, que Leroux devia a sua grandeza."

 - SAINT-EXUPÉRY, Antoine. Correio sul - Vôo Noturno. São Paulo: Abril Cultural, 1974. 1a. edição. P. 174. Tradução de Pierre Santos.

fonte da foto: Aviastar.org

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Trabalhando só pelos bens materiais construímos nós mesmos nossa prisão. Encerramo-nos lá dentro, solitários, com nossa moeda de cinza que não pode ser trocada por coisa alguma que valha a pena viver.
Se procuro entre minhas lembranças as que me deixaram um gosto durável, se faço o balanço das horas que valeram a pena, certamente só encontro aquelas que nenhuma fortuna do mundo ter-me-ia presenteado. Não se compra a amizade de um Mermoz, de um companheiro a quem estamos ligados para sempre pelas provas sofridas juntos.
Esta noite de voo e suas cem mil estrelas, esta serenidade, esta soberania de algumas horas, o dinheiro não compra.
Esta face nova do mundo depois de uma etapa difícil, estas árvores, estas flores, estas mulheres, estes sorrisos docemente coloridos pela vida a que regressamos de madrugada, esse mundo de pequenas coisas que nos recompensam, o dinheiro não compra.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Terra dos Homens. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 26ª edição. P. 32.

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Acabado o serviço! Néri e eu iríamos à cidade. Pela madrugada em Casablanca já há uns botequins abertos… Néri e eu sentaríamos a uma pequena mesa, bem seguros, rindo da noite passada, diante dos pãezinhos quentes em forma de meia-lua e do café com leite. Néri e eu receberíamos aquele presente matinal da vida. Assim também a velha camponesa só atinge o seu deus através de uma imagem pintada, de uma ingênua medalhinha, de um rosário; é preciso que nos falem numa linguagem bem simples para que possamos entender. A alegria de viver se resumia para mim naquele primeiro gole matutino, cheiroso e quente, naquela mistura de leite, café e trigo que nos liga às pastagens calmas, às culturas exóticas, e às searas - que nos liga à terra inteira. Entre tantas estrelas não havia nenhuma outra em que se enchesse para nós a xícara perfumada do café da manhã.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Terra dos Homens. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 26ª edição. Pp 22-23.

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De uma entrevista para o boletim do IBNA

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"Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca."

QUINTANA, Mário. A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Mediafashion, 2008. P. 133.

Fonte da imagem: Consumo com atitude.

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Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
PESSOA, Fernando. Poesias de Álvaro de Campos. São Paulo: FTD, 1992. P. 208.

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